A recente fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, após sua derrota nas eleições de 2026, gerou uma onda de descontentamento entre os militares, que até então eram seus apoiadores. A desaprovação é ainda mais intensa, visto que muitos deles participaram ativamente em campanhas anteriores, reforçando a ligação com o bolsonarismo.
A mudança de atitude da “família militar”
Desde 2018, a “família militar”, que inclui tanto membros ativos quanto inativos das Forças Armadas e seus familiares, havia demonstrado forte apoio a Jair Bolsonaro. No entanto, a nova derrota de Flávio e suas ações subsequentes, como a contestação do resultado e o envio de uma carta considerada golpista, desencadearam críticas severas entre seus aliados fardados. Em contrapartida, Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo e capitão da reserva do Exército, começa a se destacar como uma alternativa viável para as Forças Armadas, especialmente com sua intenção de concorrer à presidência em 2030, conforme sua própria declaração a um veículo de comunicação.
O descontentamento com a fuga de Flávio
Militares consultados, incluindo oficiais de diversas patentes e ex-comandantes, expressaram sua indignação em relação à fuga de Flávio, considerando-a uma traição à confiança de seus eleitores. Um general comentou que abandonar o país sem reconhecer a derrota é semelhante a um comandante que abandona sua tropa, uma atitude inaceitável para qualquer militar. Outros oficiais reforçaram que a decepção gerada pela conduta do candidato derrotado não se relaciona apenas a questões políticas, mas também a valores fundamentais como caráter e lealdade.
Projeções futuras e o papel de Tarcísio
Os militares veem em Tarcísio de Freitas um político que se alinha aos valores conservadores que prezam e que possui uma trajetória sólida, tendo servido em três diferentes governos. Sua formação militar e atuação em missões de paz no exterior o tornam uma figura respeitada e confiável. Mesmo que Tarcísio tenha sido inicialmente associado ao bolsonarismo, é amplamente acreditado que ele se distanciará desse legado nas próximas eleições.
Apesar do apoio contínuo de alguns segmentos mais radicais ao clã Bolsonaro, muitos militares já consideram Tarcísio como a escolha mais legítima para liderar a próxima etapa política. A insatisfação com o governo Lula, que muitos veem como um momento de desafios para as Forças Armadas, e a crítica à atuação do STF em relação a casos como o do 8 de Janeiro também alimentam essa mudança de direção.
Em suma, a nova dinâmica entre as Forças Armadas e os políticos que se propõem a liderá-las pode sinalizar um importante ponto de virada no cenário político brasileiro, onde figuras como Tarcísio de Freitas ganham cada vez mais destaque em meio a um ambiente de descontentamento com o passado recente.







