O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (28) que o seu governo autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro em território norte-americano, mas enfatizou que não pretende se envolver na crise política brasileira. O senador desembarcou na região de Miami com a esposa e as duas filhas após deixar o Brasil em meio a determinações judiciais do Supremo Tribunal Federal.
Repercussão da carta e críticas ao processo eleitoral
Antes de embarcar para Ohio, Trump evitou comentar diretamente o documento divulgado pelo parlamentar, que inicialmente se autointitulava vencedor do pleito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, declarou Trump a jornalistas. Após forte repercussão, o político brasileiro alterou o termo na carta para se identificar como “líder do Brasil”.
Apesar de não reconhecer o resultado contestado, o republicano criticou o tratamento dispensado ao clã Bolsonaro e mencionou sua familiaridade com as lideranças políticas envolvidas. “Como vocês sabem, não tomei partido na eleição. Mas, quando vejo algo inadequado, eu aponto. Achei que ele e sua família foram tratados de forma muito injusta”, afirmou o presidente americano, segundo a rede de TV CNN. Em seguida, acrescentou: “Eu conheço os dois. Conheço Lula. Conheço um pouco Flávio. Conheço muito bem o pai. O pai foi tratado muito mal, na minha opinião. Mas eu não me envolvi. É o Brasil, é outro país”.
Logística da viagem e o aval de Washington
Integrantes da administração dos Estados Unidos já tinham ciência desde segunda-feira (26) de que o senador havia recebido um prazo aproximado de 24 horas para entregar seus passaportes à Polícia Federal. Autoridades norte-americanas garantiram previamente que o acesso seria liberado. O trajeto de saída ocorreu na noite de terça-feira (27), cruzando a fronteira argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, com posterior embarque em uma aeronave particular que realizou escala no Equador antes de alcançar o aeroporto de Opa-locka, na Flórida, sob autorização humanitária válida por um ano.
Acusações sem provas e agradecimentos públicos
Nos dias anteriores, o chefe da Casa Blanca já havia questionado a lisura da votação brasileira sem apresentar evidências concretas, classificando o pleito como fraudado e citando divergências sobre a ampliação do horário de votação — medida que também havia sido pleiteada pelo próprio partido de Flávio. Do exterior, o parlamentar publicou agradecimentos públicos aos governos dos Estados Unidos e da Argentina, afirmando buscar segurança jurídica e a intenção de liderar a oposição à atual gestão brasileira à distância.
O senador nega irregularidades nas investigações que responde por corrupção e lavagem de dinheiro, justificando sua saída do país como uma forma de escapar do que classifica como perseguição política, enquanto dados do Tribunal Superior Eleitoral registraram apenas uma fração minoritária de votos computados após o horário regular, insuficiente para alterar o desfecho das urnas.







