Apenas 21 dias separam o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026. Enquanto o intervalo pode parecer longo para os eleitores engajados, o prazo é extremamente apertado para os servidores dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) que coordenam a logística do pleito.
Logística internacional e suporte virtual
Nas votações realizadas fora do país, onde a diplomacia e as grandes distâncias ditam o ritmo, o planejamento se torna ainda mais complexo. A responsabilidade por essa operação é do TRE do Distrito Federal, que gerencia tanto a primeira quanto a segunda etapa da disputa para os 918,9 mil brasileiros aptos a votar no exterior em 2026.
Apesar da necessidade de uma nova rodada de votação, os equipamentos utilizados fora do Brasil não retornam ao território nacional no intervalo entre os turnos. “No exterior, a gente tem a dificuldade da janela de tempo. A gente não tem tempo de receber essas urnas, migrar para o segundo turno e enviá-las novamente. Então, a gente faz o suporte de forma virtual, junto com as embaixadas e os consulados”, explica Andrey Bernardes, secretário de Tecnologia do Tribunal.
Configuração prévia e testes consulares
A preparação começou bem antes do primeiro turno, ainda em setembro, quando o TRE-DF enviou os dispositivos acompanhados de duas mídias — equivalentes a pendrives que armazenam os dados dos candidatos. Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolida os nomes que disputam o segundo turno, o arquivo digital correspondente é transmitido diretamente aos servidores no exterior.
Esses profissionais, ligados ao Ministério das Relações Exteriores, passam por treinamento para manipular os dados e realizar inspeções técnicas nos aparelhos. “Eles testam todos os periféricos da urna, a tela, os teclados, todos os componentes. Estando apta, ela gira para a tela de segundo turno, informando qual é a data do pleito, o horário de impressão da zerésima, a zona, o município e a sessão”, detalha o secretário.
Urnas de contingência e o impacto do transporte
Por regra de sistema, a urna eletrônica só consegue transicionar para a fase seguinte se tiver operado efetivamente no primeiro turno. A exceção recae sobre os equipamentos de contingência, que servem como reserva e são programados exclusivamente para o segundo turno se houver falhas nas unidades titulares.
Para o pleito deste ano, 15 urnas reserva foram despachadas ao exterior após o primeiro turno com a missão de substituir 29 dispositivos que apresentaram defeitos ou danos. Segundo o TRE-DF, o próprio deslocamento internacional pode comprometer a integridade dos sistemas. “Chacoalha a urna, às vezes ela não vai direto para o local de votação. Passa por vários aeroportos e tudo mais, às vezes leva até 10 dias para chegar lá”, afirma.
Crescimento do eleitorado e alto índice de abstenção
O volume de brasileiros votando fora do país cresceu de maneira expressiva nas últimas duas décadas, saltando de cerca de 86 mil em 2006 para quase 919 mil em 2026. No entanto, a participação esbarra em barreiras geográficas consideráveis, fazendo com que o voto para presidente — único cargo disputado por essa parcela do eleitorado — registre índices elevados de abstenção.
“Isso decorre da distância entre onde os eleitores moram e onde a urna eletrônica está disponibilizada. Às vezes o eleitor está a mil quilômetros de distância, tem que fazer uma viagem para fazer a votação e não está apto naquele momento para fazer essa viagem”, pontua Andrey. No primeiro turno, a abstenção atingiu 62,69%, superando a marca de 55% registrada em 2022, com a participação de apenas 341.766 cidadãos.





