O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) classificou como “pura ação política” a carta golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) logo após sua chegada aos Estados Unidos. O general da reserva, que foi vice-presidente durante a gestão de Jair Bolsonaro, pontuou que o texto não reflete a existência de um respaldo real a medidas de força.
Críticas ao pleito e avaliações sobre o cenário
A manifestação de Flávio ocorreu após a derrota no segundo turno para o presidente Lula (PT), que assegurou a reeleição com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário. Questionado sobre os desdobramentos judiciais envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, que determinou a apreensão de passaportes, Mourão fez ressalvas. “Que existe arbítrio por parte do Alexandre de Moraes não tenho a menor dúvida. Quanto à possibilidade de fraude, deveria ser investigada dentro do possível”, disse o senador. “Quanto ao resto, é pura ação política.”
Repercussão institucional e o TSE
Durante pronunciamento oficial no domingo, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, assegurou que o andamento do pleito ocorreu sem prejuízos. “Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou.
Ajustes no texto e o impacto na direita
O conteúdo assinado por Flávio passou por modificações antes e depois de sua publicação nas redes sociais, alternando termos como “verdadeiro presidente”, “líder do Brasil” e “presidente eleito”. Ao ser questionado diretamente sobre o teor golpista do material, Mourão foi categórico: “Golpe tem de ter apoio, e ele não existe”. Para o parlamentar, a permanência fora do país dificulta a articulação de liderança sobre o campo conservador, exigindo cautela para observar os desdobramentos futuros.
A viagem de Flávio para Miami ocorreu na noite de terça-feira (27), passando por Argentina e Equador, acompanhado da esposa e das duas filhas. A movimentação acontece em meio a um cenário de forte pressão jurídica sobre aliados da gestão passada, enquanto o centro político avalia os reflexos da derrota nas urnas e a reconfiguração da oposição no Congresso Nacional.







