O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um vídeo em inglês na rede social X no qual pede que a comunidade internacional recuse o reconhecimento da vitória do presidente Lula (PT) sobre seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições. Na gravação, o ex-parlamentar também defende que haja pressão externa para a anulação do pleito.
Acusações sem provas e contestação estatística
Sem apresentar evidências, o político que vive nos Estados Unidos argumentou que o pleito foi fraudado. “Não reconheçam estas eleições […]. Sem dúvida, como disse Flávio, precisamos anular esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional. Precisamos que vocês compartilhem este vídeo. Certifiquem-se de que todos estejam alinhados e não permitam que algo assim seja acatado”, declarou.
Para sustentar a tese de impossibilidade matemática, Eduardo somou os votos dos candidatos derrotados no primeiro turno — Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que totalizaram pouco mais de 9,05 milhões —, questionando como o atual presidente teria ampliado sua votação em cerca de 10,3 milhões de faltas de registro anterior, saltando de 53,9 milhões para 64,2 milhões de sufrágios.
“Quando Lula venceu, foi como se tivesse recebido todos esses votos e ainda quase outros 2 milhões. Isso é simplesmente inacreditável. […] Estatisticamente, isso seria impossível de acontecer”, afirmou no registro audiovisual.
Participação eleitoral e virada inédita
A argumentação do ex-deputado ignorou o crescimento no comparecimento às urnas. As abstenções no segundo turno caíram para 30,5 milhões (19,2%, a menor taxa para etapas finais desde 2006), enquanto na primeira fase o número havia atingido 33,4 milhões (21,08%). No total, mais de 128,1 milhões de eleitores participaram da votação decisiva, superando os 125 milhões do primeiro turno.
Lula assegurou a reeleição com 51,79% dos votos válidos, superando os 48,21% (59,8 milhões) de Flávio Bolsonaro. O chefe do Executivo federal havia terminado a etapa inicial atrás do adversário por 47,03% a 45,16%, mas registrou 4,4 milhões de votos a mais na decisão, consumando a primeira virada na história eleitoral brasileira.
Críticas à extensão do horário de votação
Outro ponto alvo de ataques no vídeo foi a prorrogação do encerramento da votação das 17h para as 19h. A determinação partiu do ministro do STF Cristiano Zanin, atendendo a um pleito da campanha petista sob a justificativa de escassez de ônibus em diferentes regiões do país. A medida representou um fato inédito desde a implementação das urnas eletrônicas.
O segundo turno foi marcado por longas filas e problemas logísticos. O Ministério da Justiça apontou falhas na oferta de transporte público em oito estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas, Rio de Janeiro e Paraíba. A Polícia Federal instaurou investigações para apurar a restrição ao transporte em Sergipe, São Paulo, Alagoas, Piauí e Bahia.
Diante disso, Eduardo direcionou críticas a Zanin, associando o magistrado ao atual governo: “O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto”.







