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Nikolas Ferreira recua e pede a eleitores que evitem atos contra Lula

Parlamentar mineiro afirmou que probabilidade de invalidar o pleito é praticamente nula após derrota de Flávio Bolsonaro

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Nikolas recua e pede a aliados evitarem manifestações contra Lula

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado próximo do presidenciável derrotado Flávio Bolsonaro (PL), declarou em um vídeo publicado nesta segunda-feira, 26, que a probabilidade de invalidar a votação é praticamente nula e aconselhou os apoiadores a se absterem de manifestações públicas.

Divergência sobre o resultado das urnas

A gravação foi veiculada no Instagram e compartilhada por Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio. A manifestação ocorreu após o próprio candidato ter anunciado na noite de domingo, 25, que exigiria a invalidação da disputa em coletiva de imprensa na qual recusou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o seu quarto mandato.

O pleito foi decidido com a vitória de Lula por 51,79%, totalizando 64,2 milhões de votos, frente aos 48,21% de Flávio Bolsonaro, que somou 59,8 milhões. O resultado marcou uma reviravolta histórica em relação ao primeiro turno, ocasião em que o representante do PL encerrou a etapa anterior na liderança, com mais de 47% dos sufrágios.

Questionamentos e apelo à prudência

No início da gravação, o parlamentar argumenta que a “quantidade de perguntas sem respostas gera insegurança e indignação”, fazendo referência ao cenário inédito na trajetória democrática do país. Ele também direciona suspeitas à conduta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, responsável por ordenar a extensão do período de votação depois que os diretórios do PT e do PL solicitaram a providência.

Apesar de alinhar seu discurso à narrativa de que o candidato do PL teria sido prejudicado pela decisão judicial — que contou com o aval do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, nomeado à Suprema Corte por Jair Bolsonaro —, a postura do deputado diverge da promessa feita por Flávio.

Na noite anterior, o senador declarou: “É inexplicável acontecer o que aconteceu. É impossível reconhecer o resultado dessas eleições. Vou pedir a anulação”, em pronunciamento feito aos jornalistas no Lago Sul, em Brasília, onde acompanhou a contagem dos votos ao lado de aliados.

Perspectivas jurídicas e articulações políticas

A iniciativa do senador de invalidar a disputa presidencial não apresenta viabilidade de prosperar na Justiça Eleitoral. Fontes próximas ao ministro Kassio Nunes Marques indicam que ele não tem a intenção de anular a oficialização do resultado divulgada na noite de domingo, 25. Nos bastidores do TSE e do STF, magistrados apontam a inexistência de fundamentos para invalidar o pleito, principalmente devido à vantagem superior a 4 milhões de votos obtida por Lula sobre o adversário.

Durante a campanha do segundo turno, Nikolas desempenhou um papel de relevo. Reeleito para a Câmara dos Deputados com mais de 3 milhões de sufrágios, ele integrou ativamente a mobilização pró-Flávio por meio dos atos “Bloquinho do 22”, comícios em formato de bloco carnavalesco que atraíram multidões de apoiadores em território nacional. A aproximação ajudou a pacificar divergências entre o clã Bolsonaro e o deputado mineiro, que frequentemente enfrentava críticas públicas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente autoexilado nos Estados Unidos.

Após a confirmação do revés nas urnas, grupos bolsonaristas buscaram traçar paralelismos com a eleição venezuelana de 2015 para contestar a extensão do horário de votação e alegar interferência prejudicial a Flávio Bolsonaro. Contudo, essa narrativa desconsidera dois requerimentos de prorrogação protocolados pela própria equipe jurídica do candidato, além das particularidades do contexto político da Venezuela.

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