Um novo sistema implementado pelo governo federal está demonstrando eficácia ao bloquear celulares em presídios em até 30 minutos, um avanço significativo na luta contra o uso clandestino desses dispositivos por facções criminosas.
Operação visa desmantelar a atuação de facções dentro das prisões
A facção criminosa conhecida como Povo de Israel (PVI) ganhou notoriedade no Rio de Janeiro por realizar golpes telefônicos a partir do interior do sistema penitenciário. Recentemente, no dia 14, o grupo foi alvo de uma operação federal que busca reduzir a presença de celulares nas unidades prisionais. Durante a ação, agentes penitenciários utilizaram um equipamento portátil que simula uma antena de telefonia, permitindo a identificação de linhas telefônicas e modelos de aparelhos utilizados pelos detentos.
Resultados promissores em bloqueio de equipamentos
Em uma única operação, foram detectados 143 celulares que haviam sido contrabandeados para dentro de um presídio, apesar de a unidade não ter seu nome revelado. Os sinais dos aparelhos foram bloqueados em tempo recorde, após a comunicação dos números à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), uma prática inédita no Brasil. Anteriormente, o bloqueio só ocorria por meio de ordens judiciais, o que poderia levar dias ou até semanas para ser efetivado.
Mudanças legais facilitam o processo
Essa transformação no procedimento de bloqueio se deve a um decreto assinado pelo presidente Lula no dia 9 de outubro, que autoriza o cancelamento de linhas telefônicas identificadas nas prisões por meio de atos administrativos, facilitando a atuação das autoridades penitenciárias.
Até o momento, a Operação Modo Avião já resultou no bloqueio de mais de 1.172 celulares em três estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Rio de Janeiro, especificamente, 700 aparelhos foram bloqueados através desse novo método. Embora apenas esses três estados tenham acesso à plataforma da Anatel para o bloqueio administrativo, outros estados já manifestaram interesse em aderir.
O governo possui uma lista de 138 presídios estratégicos, onde a presença de líderes de facções criminosas é alta. Essas unidades são priorizadas nas ações de rastreamento de celulares. O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que “não tem nada mais revolucionário do que isso [o bloqueio administrativo]”, destacando a continuidade das operações em vários estados.
Por outro lado, o sociólogo Guaracy Mingardi, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, expressou ceticismo em relação à eficácia do novo sistema para resolver completamente o contrabando de celulares nas prisões, apontando possíveis brechas que podem ser exploradas, especialmente se houver corrupção entre os policiais penais.
As mochilas utilizadas na Operação Modo Avião custaram cerca de R$ 3,8 milhões cada e são equipadas com tecnologia de ponta que consegue identificar sinais de 5G, roteadores e dispositivos como relógios inteligentes. Após a varredura, as informações coletadas são entregues à direção do presídio para os devidos procedimentos de bloqueio.
Antes da implementação desse sistema, as autoridades dependiam de bloqueadores fixos que apresentavam limitações e não eram eficazes em diversas áreas das unidades prisionais. Com a nova abordagem, espera-se que as operações presenciais periódicas resultem em maior controle sobre o uso de celulares nas prisões, um desafio que continua a exigir atenção e recursos por parte do governo.







