Após o surgimento de rumores sobre a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, o governo argentino enfrenta incertezas sobre seu envolvimento na situação. A fuga ocorreu na madrugada de quarta-feira (28), quatro dias após os primeiros boatos.
Documentação e passaportes no centro da polêmica
A gestão de Javier Milei justificou a entrada do senador, que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 25 de outubro, afirmando que ele apresentou documentação válida e não havia alertas da Interpol contra ele. Flávio fugiu após ser informado sobre o cancelamento de seus passaportes pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, não entregando os documentos no prazo estipulado. Reportagens indicam que ele utilizou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático brasileiro ao chegar nos EUA.
O jato e as ligações com a corrupção
O jato privado que transportou Flávio de Porto Iguaçu é operado pela Baires Fly S.A., uma empresa mencionada em investigações sobre lavagem de dinheiro relacionada a contratos públicos na Argentina. Esse esquema de corrupção, que abalou o governo Milei em 2025, resultou na demissão de Diego Spagnuolo, ex-diretor de uma entidade ligada ao caso.
Envolvimento de assessores e investigações
De acordo com o jornal argentino El Clarín, Santiago Caputo, assessor de Milei, esteve em Porto Iguaçu na noite de terça-feira (27) e monitorou a operação de fuga. Ele teria sido transportado por um veículo que seguia com escolta de outro carro, ambos identificados em uma blitz na rodovia que liga Porto Iguaçu a Buenos Aires. Caputo negou as acusações em entrevista ao jornal La Nacion.
Oposição ao governo Milei tem se mobilizado, apresentando propostas legislativas para convocar ministros a prestar esclarecimentos sobre a fuga de Flávio, que está sendo investigado por crimes como lavagem de dinheiro no Brasil. Medidas precisam passar por uma comissão dominada por aliados de Milei, o que dificulta a aprovação.
Além disso, deputados apresentaram denúncias relacionadas à operação. Uma delas, por Marcela Pagano, pede investigação sobre supostos crimes de tráfico ilegal de pessoas e abuso de autoridade na entrada de Flávio na Argentina. O Tribunal Federal de Misiones arquivou a denúncia rapidamente, alegando que não houve ilegalidades.
Outra denúncia alega envolvimento de membros do governo na fuga, incluindo Milei e seu chanceler. A investigação apura se houve uso de recursos públicos na operação, um tema que continua gerando repercussão na imprensa argentina.







